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quarta-feira, 28 de julho de 2010

+DOM LUIZ BERGONZINI


Louvável insistência


23/07/2010 por Everth Queiroz Oliveira

O bispo da diocese de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, concedeu entrevista à Folha. “Eu não tenho medo”, afirmou o pastor quando questionado se pretendia levar ao conhecimento dos fiéis da diocese a recomendação de não votarem em Dilma Rousseff. Abaixo um pequeno trecho da entrevista.

Folha - Mesmo com a recomendação da CNBB pela neutralidade na campanha, o senhor decidiu explicitar sua posição contrária à candidata Dilma Rousseff. Por quê?
Dom Bergonzini – Em primeiro ligar, que recomendação é essa? A CNBB não tem autoridade nenhuma sobre os bispos. Eu segui a voz da minha consciência. Sou cristão de verdade e defendo o mandamento “não matarás”. Não tem esse negócio de “meio termo”.



Folha – A candidata afirma que não defende a descriminalização do aborto. Mesmo assim, o senhor cita o nome dela no artigo.
Dom Bergonzini – Ela segue o partido, ela é a candidata. Então eu vou matar a cobra na cabeça. Pessoalmente não tenho nada contra ela. Mas o direito à vida é o maior direito humano. O aborto é atitude covarde e criminosa. Eu não arredo o pé, não.

Quanto à recomendação de neutralidade exposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, é importante deixar bem claro – assim como o bispo de Guarulhos deixou bem claro no artigo que foi banido do site da CNBB – que a Igreja não se confunde de modo algum com uma comunidade política. Então, não se trata de um posicionamento político a atitude do bispo paulista. A recomendação de Dom Bergonzini está ligada a um ensinamento moral da Igreja. O aborto é um crime abominável, algo extremamente terrível aos olhos de Deus. Um católico que queira verdadeiramente cumprir a lei de Deus não pode colaborar, com seu voto, com a campanha de uma candidata que é claramente a favor da descriminalização desse homicídio. E é dever dos bispos orientar os fiéis nesse sentido. Neutralidade não pode se confundir com omissão.




E, enquanto de um lado temos a coragem e a valentia de um bispo em condenar a filiação de um cristão aos projetos do PT, de outro temos o apoio de comunidades protestantes à candidatura de Dilma Rousseff.

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